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Audiolivro com Voz IA: Memoria dos feitos macaenses contra os piratas da China por José Ignacio de Andrade

Audiolivro: Memoria dos feitos macaenses contra os piratas da China por José Ignacio de Andrade

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MEMORIA DOS FEITOS MACAENSES CONTRA OS PIRATAS DA CHINA: E DA ENTRADA VIOLENTA DOS INGLEZES NA CIDADE DE MACÁO

AUCTOR

JOSÉ IGNACIO ANDRADE.

SEGUNDA EDIÇÃO.


Rien ne peut arretêr dans leurs projets nouveaux Ces Portugais ardens qui volent sur les eaux, O' com bien de héros guiderent leur audace! Que de faits immortels ont signalé leur trace!

Esmenarde, C. V. pg. 26.

PROEMIO.

Quanto é arriscado escrever feitos gloriosos de homens, que ainda vivem! Não só os seus inimigos, mas tambem os feridos do orgulho, ou da inveja, saírão a vociferar contra a mesma evidencia. Ha quem julgue mais prudente calar as grandes acções dos heroes em sua vida. Mas porque se ha de recusar este premio ás pessoas, que o ganharam a risco da vida e fazenda? Por se temer a mordacidade dos zoilos? Eis a fraqueza, que não tenho. Transmittindo a verdade aos vindouros, e dizendo o que fizeram os Portuguezes dignos deste nome; se fôr censurado por alguns, louvarão outros o meu zelo.

INTRODUCÇÃO.

De todos os espectaculos, que a industria humana tem dado ao mundo nenhum mais admiravel do que a navegação. Entes fracos e mortaes filhos da terra ousaram transportar-se sobre elemento inestavel e perigoso, levantar edificios em cima das aguas, dominar os ventos, e voar ás extremidades do mundo por baixo de Ceos desconhecidos.

Mas qual é a sorte do homem? Dotado de coração tão perverso, quanto o espirito é grande; o crime assenta-se ao lado do genio. De todas as invenções sublimes tem os homens abusado. Dos vegetaes extraíram venenos: do ouro a moeda que tudo corrompe. As artes serviram-lhe para multiplicarem os meios de se destruirem. A navegação é, sobre tudo, origem de mortandades; o mar tornou-se campo de carnagem; e as ondas foram ensanguentadas pela guerra.

As duas partes do globo oriente, e occidente, terra e mar, são igualmente o theatro das desgraças e crimes do homem: com a differença, que dilatando as vistas e passos ao longo do continente, descobrimos ruinas e despojos do ferro e fogo; campos e ermos incultos; porém o mar sendo tumulo de grande parte da humanidade, nenhum vestigio offerece de tantos estragos. Todos os dias passa o navegador com despejo por cima das ondas, que tem engolido milhares de homens.

Quem não desejará voltar aos tempos felizes de ignorancia e parcimonia, em que nossos avós menos grandes, porém menos criminosos, sem industria, mas sem remorsos, viviam pobres e virtuosos, e morriam nos campos que os tinham visto nascer.

Á custa das vidas portuguezas formaram os nossos antepassados um estabelecimento na China: os nossos contemporaneos foram de novo obrigados a ensanguentar as ondas para submetter Cam-pau-sai ás leis do imperio; e a usar prudencia consummada além do valor, a fim de livrar Macáo da invasão britanica. Nada ha mais proveitoso que a historia para adquirir prudencia, (diz Jeronimo Osorio) nem mais poderoso do que ella para despertar virtudes, mais saudavel para sanar as feridas da republica, nem mais aprasivel para o deleitamento da vida. Mas segundo os homens foram sempre, não crêm nunca feitos, quem sahêm álém do seu engenho e posses; nem ha meio que admittam o que sobrepuja os termos de trivial esforço, e usada industria. Todavia os feitos exarados nesta memoria jámais serão desmentidos; e podem despertar virtudes.

A China por nós ha muito tempo ignorada, depois inteiramente desfigurada, e hoje melhor conhecida do que algumas provincias da Europa, é o imperio mais antigo, extenso, e florecente do globo. Pelo ultimo censo, feito no seculo passado, foram avaliados os seus habitantes em duzentos milhões de almas. O rendimento annual sobe a quinhentos milhões de cruzados. Sustenta oitocentos mil soldados, e trezentos mil cavallos, que emprega nas armas, e correios publicos.

Ha tempo immemoriavel são os imperadores tambem pontifices do imperio; para que as authoridades civil, e religiosa nunca se achem em conflicto. Adoram um Deus unico; e offerecem-lhe as primicias de um campo lavrado, todos os annos em dia solemne, por suas proprias mãos. Alento exemplar á agricultura, primeira base da independencia e prosperidade nacional.

Pela maxima da tolerancia geral seguida no oriente, admittem-se os bonzos de todas as religiões, e deixam-nos espalhar os seus desvarios: mas se chegam a amutinar o povo, são logo enforcados. Assim os toleram e os reprimem. O imperador Cham-hi mandou gravar no frontispicio da sua capella: O Chang-ti não tem principio nem fim: creou e governa tudo: é summamente bom e justo.

Os Chinezes em geral são polidos e virtuosos. O Imperador tem uma só mulher legitima, mas póde segundo as leis do Imperio ter grande numero de amasias. A sorte destas é triste, por viverem encerradas. Pagam com a privação em que vivem da sociedade, a honra de satisfazer ao imperante, a qual devem á formosura, e não ao nascimento, que os Chinezes desapreciam, quando não é accompanhado da virtude.

Os Coláos e mandarins letrados são mais estimados no imperio do que os militares. Entre o grande numero dos primeiros ha seis que acompanham a côrte. O coláo mais antigo e de maior merito nomeia os mandarins para todos os empregos superiores, e os manda punir se não cumprem com o seu dever; o segundo cuida nos cultos, e dispõe as ceremonias da côrte; o terceiro é o Ministro da Justiça; o quarto administra a f

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