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AI Voice AudioBook: Lupe by conde de Affonso Celso de Assis Figueiredo Affonso Celso

AudioBook: Lupe por conde de Affonso Celso de Assis Figueiredo Affonso Celso

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LUPE

Prefácio

Dos ensaios literários que ultimamente tenho dado a lume, foi Lupe o que suscitou mais vivas e contraditórias apreciações.

Críticos houve, tão exageradamente benevolentes, que de primorosa qualificaram a singela narrativa, chegando ao extremo de emparelhá-la com Cinco Minutos de José de Alencar e Graziella de Lamartine.

Outros, em compensação, a acoimaram de romancete fraco e efêmero, onde a ação se arrasta enfadonhamente, com defeitos notáveis de forma e escandalosos erros de observação.

E, conforme os hábitos da terra, depois de malsinar o livro, atiraram-se desapiedados contra o autor, chamando-lhe vaidoso, ignorante, humilhador da pátria língua e quejandas amenidades.

Em consciência, reputo-me autorizado a repetir os versos da tragédia raciniana:

.... Je n’ai mérité Ni cet excès d’honneur, ni cette indignité!

Lupe não passa de modesto episódio de viagem, des preocupadamente contado, sem pretensão de espécie alguma.

Achei prazer em escrevê-lo, e, simplesmente por isso, o escrevi.

Publiquei-o com a inofensiva esperança de transmitir a outros uma parte desse prazer.

E parece que não me iludi de todo nos meus intuitos, pois duas tiragens de Lupe,—mil exemplares cada uma,—apesar da época turbada em que se expuseram à venda, dentro de breves dias se esgotaram.

Entre os senões apontados pelos censores, confesso que vários se me afiguraram justos. Corrigi-os na presente edição e me esforçarei por não reincidir.

A alguns, porém, peço venia para oferecer ligeira contestação.

—Desagrada em vossas produções,—acusaram-me,—o tom intensamente pessoal que nelas impera. Falais em demasia de vós mesmo. Daí a pecha de vaidoso que vos assacaram.

Como o orador romano, podem neste ponto bradar os profligadores: habemus confitentem reum.

Sim; todo o meu empenho consiste exatamente em imprimir, nos meus trabalhos literários a mais funda feição individual possível.

Segundo o meu ideal,—falso talvez, mas sincero,—tanto maior se revela o artista quanto mais singular a sua obra, isto é, quanto mais se destaca da dos outros, afirmando nitidamente, por meio de suas peculiaridades, o eu de quem a criou.

Ignoro o que seja arte impessoal.

Ponderou muito bem um amigo que acorreu em minha defesa: “num trabalho de arte tudo traz a mão que o fez, o cérebro que o pensou, o coração que o sentiu; o cunho do temperamento individual é condição essencialíssima para sua vitalidade.”

De fato, mesmo os objetivistas e impassíveis, sem embargo de quaisquer artifícios, assinalam-os e distinguem-nos essa própria impassibilidade ou objetivismo.

Quando menos, eis-los particularizados no estilo, onde cada qual, mau grado seu, estampa o seu selo original.

Até na arte fotográfica, que se limita à reprodução automática das aparências, patentear-se-á a personalidade do artista na distribuição dos grupos, na seleção das posições e dos objetos fotografados, em mil traços, em suma, inconscientes e característicos.

—Mas,—insistirão,—escolheis assuntos excessivamente íntimos. Vossos escritos são autobiografias. A egomania vos domina.

Retrucarei, recorrendo à autoridade suprema de Victor Hugo.

Quanto à opção das matérias, doutrinou ele, (cito de memória) no prefácio das Orientales:

“Não reconheço à crítica o direito de interpelar o poeta acerca da sua fantasia e de o increpar porque adotou um assunto de preferência a outro, utilizou-se de tal tinta, colheu n’aquela árvore, bebeu em determinada fonte. É boa ou má a obra? Eis o domínio da crítica. Não há em poesia bons ou maus assuntos, mas bons ou maus poetas. Tudo é assunto. O domínio da arte abrange tudo. Não pesquiseis o motivo que me levou a eleger tal argumento. Examinai o como trabalhei, e não o sobre o quê e o porquê.”

No tocante ao pretenso abuso do pronome pessoal, apadrinhar-me-ei ainda com o grande mestre, que, no proêmio das Contemplações, ensinou:

“Ninguém tem a honra de possuir uma vida que seja exclusivamente sua. A minha vida é a vossa; a vossa vida é a minha; vós viveis o que eu vivo; o destino é um só. Tomai este espelho e mirai-vos nele. Queixosos há dos escritores que dizem—eu. Falai de nós,—bradam esses. Por Deus! Quando falo de mim, falo de vós. Como não o sentis!? Ah! quão insensato és se julgas que eu não sou tu. Este livro contém tanto a individualidade do autor como a do leitor. Homo sum.

Não careço explicar que entre esta concepção da identidade humana e a do personalismo na arte nenhuma antinomia existe.

Somos todos fundamentalmente irmãos, com faculdades equivalentes, sujeitos em perfeita igualdade à ação de inflexíveis leis físicas e morais. Mas, dentro da órbita da unidade genérica, as individuações manifestam-se, as aptidões variam.

Artista é o que sabe concretizar esteticamente os frutos da sua superna aptidão criadora.

Assim, em que pese aos meus ilustres aristarcas, persistirei em guardar completa independência com relação a temas e a pronomes, embora sobre mim atraia esse propósito abomináveis epítetos. Tomei, de há muito, Jó como meu mentor, em meio dos sucessos de nosso caro Brazil.

O meu estilo sofreu também duros reparos.

Arguiram-no de truncado, telegráfico, desigual, inçado de orações elípticas.

Que fazer? Infelizmente, não se me depara por enquanto outro melhor.

Apesar de todas as suas mazelas, consigo com esse estilo externar o meu pensamento, tornando-me entendido da maioria dos leitores. Isso me basta. Valha-me a intenção de buscar máxima clareza e concisão seguindo a regra estilística formulada por Spencer:—poupai o tempo e a atenção de quem vos lê.

Nesta quadra de palavreado torrencial, deve-se indulgência aos que ambicionam furtar-se ao words! words! do príncipe dinamarquês.

Iriel, o finíssimo cronista parisiense do Jornal do Commercio, ocupando-se de Lupe com inexcedível gentileza, que me penhorou e desvaneceu, observa, entretanto, que a protagonista se exprime n

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