eBook Gratuito, Voz IA, Audiolivro: Introdução á archeologia da peninsula Iberica de Augusto Filipe Simões

Audiolivro: Introdução á archeologia da peninsula Iberica de Augusto Filipe Simões
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INTRODUCÇÃO Á ARQUEOLOGIA DA PENINSULA IBERICA
PARTE PRIMEIRA
ANTIGUIDADES PREHISTORICAS
As ciências históricas e sociais transformam-se atualmente sob o poderoso influxo dos factos, princípios e métodos das ciências da natureza. A arqueologia é a principal das vias por onde se opera esta grande transformação. Relacionada por uma parte com a geologia, a paleontologia e a antropologia, e por outra parte com a história, tem aproximado, atraído, ligado estas ciências que a diferença das idades e dos métodos respetivos por tantos anos conservaram afastadas e independentes umas das outras.
A tradição e a autoridade daqueles que o precederam guiam e esclarecem o historiador. Ao naturalista falta-lhe a tradição; tem apenas os vestígios dos factos para os explicar e relacionar; mas, por isso mesmo, afasta-se a observar, analisar, comparar e induzir com toda a força que dá o exercício às faculdades intelectuais, e com a independência a que o espírito humano se habitua, desprendido inteiramente de opiniões antecipadas e de sistemas preconcebidos. O historiador principia pelo mais antigo dos factos que a tradição refere, e deduz depois cronologicamente todos os outros até chegar à atualidade. O geólogo segue o caminho inverso; começa pelos factos contemporâneos e, induzindo do conhecido para o desconhecido, interpretando pelo presente o passado, remonta-se, de vestígio em vestígio, até à origem da terra. Ninguém lhe contou, ninguém deixou escrita a história do planeta que habitamos. É ele quem a cria, quem a inventa, observando e interpretando os vestígios materiais dos factos que lhe revelam na sua evolução incessante as fases principais da vida do globo. Os documentos que a natureza oferece ao naturalista não exprimem senão a verdade rigorosa e exata. Os documentos que o historiador aprecia, traçados por mãos humanas, muitas vezes a desfiguram e falseiam. Mente o homem, a natureza não.
As condições do arqueólogo que estuda as épocas pré-históricas são idênticas às do naturalista, e como naturalista há de proceder se quiser chegar ao conhecimento da verdade. Em primeiro lugar falta-lhe inteiramente a tradição verbal ou escrita; tem de se cingir à significação exata e rigorosa dos vestígios que observa. Em segundo lugar a qualidade destes vestígios, o modo como se encontram nas camadas superficiais da crosta da terra, os restos fósseis que lhes andam associados, fazem da arqueologia pré-histórica uma como parte da paleontologia humana. Aqui pois desapparece de todo a diferença entre o arqueólogo e o naturalista.
Na arqueologia dos tempos históricos, com quanto se considerem já os factos à luz da história, subsiste todavia, como elemento essencial da interpretação destes, a análise dos monumentos, a apreciação dos produtos da arte, correspondentes em cada século aos fósseis ou aos outros vestígios em que o geólogo, à força de observar e comparar, chega a constituir e a ler a história da terra. O historiador não pode pois deixar de ser arqueólogo; tem de aproveitar-se das luzes que a arqueologia lhe presta; e não raras vezes acontece indicarem-lhe os monumentos a verdade alterada pela tradição. Não há muitos anos, por exemplo, que a história nos representava os wisigodos como gente que não chegara a cultivar as artes. As descobertas de alguns capitéis em Toledo e do tesouro de Guarrazar corrigiram a falsidade histórica, mostrando-nos até que ponto eles se elevaram na escultura da pedra e dos metais, e também na arquitetura, porque de certo não fabricariam esplêndidas coroas votivas de ouro e de pedras preciosas, nem esculpiriam delicados capitéis para templos de pedra e barro ou de madeira, como diziam terem sido em Espanha os dos sucessores dos romanos na dominação da Península.
Quem considerar portanto a arqueologia a esta luz, como poderoso elemento de crítica para o historiador, e como a principal das vias por onde os métodos e noções das ciências da natureza passam para as ciências históricas e sociais, necessariamente concluirá ser o seu estudo uma necessidade impreterível para qualquer povo que não queira ficar estacionário ou retardado aquém daqueles que o facho da ciência ilumina na vanguarda da civilização. Sobe de ponto a necessidade em Portugal, de quem o poeta diria ainda hoje, como há três séculos:
E não sei por que influxo do destino Não tem um ledo orgulho e geral gosto, Que os ânimos levanta de contínuo A ter para trabalhos ledo o rosto.
A superioridade relativa da Espanha em compreender e apreciar os estudos arqueológicos claramente se nos patentêia em publicações de tal interesse e magnitude, quais são os Monumentos arquitectónicos e o Museo español de antigüedades; e em monografias como aquelas que das suas respetivas províncias escreveram os srs. Villa-amil, Gongora, Sivelo, etc. Todas estas obras e alguns jornais científicos e literários contêm grande cópia de subsídios para o estudo da arqueologia espanhola. Mas até hoje ninguém a tratara ainda comparativa e sinteticamente. Para isto seria mister considerar também as antiguidades portuguesas, e Portugal não poderia oferecer a qualquer escritor espanhol senão alguma rara memória ou um ou outro artigo nos jornais literários. Entre nós até certo ponto facilita-se a empresa, porque, se, por uma parte, a Espanha nos subministra em tantas publicações, notícias e estampas dos seus monumentos, por outra parte, temos os nossos tão próximo de nós, que as distâncias serão o menor dos obstáculos para quem pretender estudá-los ou descrevê-los.
Terá chegado a ocasião op
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