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eBook Gratuito, Voz IA, Audiolivro: Chronica de el-rei D. Affonso V (Vol. III) por Rui de Pina

Audiolivro com Voz IA: Chronica de el-rei D. Affonso V (Vol. III) por Rui de Pina

Audiolivro: Chronica de el-rei D. Affonso V (Vol. III) por Rui de Pina

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CRÓNICA DO REI D. AFFONSO V

POR

RUY DE PINA

VOLUME III

REDAÇÃO DA EDITORA

147--Rua dos Retrozeiros--147

LISBOA

1902

CAPÍTULO CXLI

De como se fez a couraça em Alcácer para defesa e segurança da vila, e como D. Duarte, o capitão, se livrou de se perder.

O rei imediatamente se pôs a fazer a couraça em Alcácer, cuja falta o impediu de socorrer ou abastecer como quis quando voltou de Ceuta. Isto porque era demasiado longe do mar para que os navios pudessem aproximar-se sem impedimento ou oposição de vasos inimigos. Tanta ordem e diligência se aplicou ao corte de pedra, cal, madeira, artesãos e outros materiais necessários, bem como à guarnição para defender tudo, que com tudo pronto e enviado a Alcácer, a couraça começou a ser construída na segunda segunda-feira de abril, no vigésimo segundo dia de março do ano de mil quatrocentos e cinquenta e nove. D. Duarte trabalhou nesta obra dia e noite, dando bom exemplo a todos, servindo melhor do que qualquer trabalhador comum ali.

Finalmente, devido à escassez de cal, pois a obra foi concebida para ser maior e mais forte do que o previsto inicialmente, a couraça não foi concluída até depois do dia de São João desse ano. Foi nesta altura que D. Duarte teve conhecimento dos preparativos, exércitos e convocações que o Rei de Fez estava a fazer nas suas terras e nas de outros para o atacar novamente como planeado anteriormente.

E como a couraça que estava a ser construída era um grande impedimento para o plano dos mouros, do qual estavam bem cientes, e como procuravam impedir a obra com danos e mortes dos artesãos que trabalhavam nela, decidiram enviar secretamente certos alcaides com quinze mil cavaleiros e muitos soldados de infantaria para os atacar e trabalhar para destruir a obra.

Além disso, D. Duarte, com os seus homens, não deixou de entrar e fazer grandes incursões e devastações nas terras dos mouros. Um dia, sem saber da estratagema dos alcaides, decidiu entrar com mais homens do que alguma vez tivera. Enquanto dois sentinelas conversavam no muro à noite, aconteceu que, devido à sua pouca vigilância e falta de cautela, um revelou a entrada de D. Duarte ao outro em voz alta, declarando imediatamente onde entraria e para onde iria, tudo precisamente como se tivessem determinado o plano eles próprios. Aconteceu que um batedor mouro, que tinha um bom entendimento da língua cristã e era muito audaz, desceu à noite para escutar ao pé do baluarte. Ouviu toda a conversa e imediatamente partiu em disparada para avisar algumas aldeias. A partir daí, foi despachado um rápido mouro. Ele foi com grande pressa avisar Tânger e encontrou inesperadamente os próprios alcaides que vinham contra a couraça. O mensageiro contou-lhes a situação, dizendo que era um remédio que Deus lhes tinha enviado naquele momento. Ficaram muito satisfeitos com esta notícia e prometeram-lhe grandes honras e promoções, pois parecia-lhes que podiam deixar D. Duarte entrar e, sem qualquer esforço, intercetá-lo e capturá-lo como quisessem. Assim, sem as dificuldades, mortes e despesas que estavam a ser preparadas para eles, não só impediriam a construção da couraça, mas também capturariam a vila, que não conseguiria resistir a uma defesa.

Os alcaides vieram ao lugar chamado Anexanuz, onde residia um cativo cristão, natural da vila de Lagos, conhecido como o Talheiro. Ele era muito amigo de um mouro chamado Azmede, que tinha sido previamente capturado em Tavila. O Talheiro, conhecendo o plano e a determinação dos alcaides, pelos quais a ruína de D. Duarte e da vila de Alcácer com toda a sua gente não podia ser evitada, e sentindo pena deles como um bom cristão e leal português, persuadiu Azmede tanto, e deu-lhe tantas esperanças na bondade e verdade dos cristãos para sua honra e benefício, que o moveu a informar D. Duarte de tudo o que havia sido acordado naquela mesma noite. D. Duarte, que estava prestes a partir, ao receber este aviso e ser assegurado por Antão Vaz, o alcaque, de que o mouro era um homem de crédito e amigo dos cristãos, ajoelhou-se, ergueu as mãos para o céu e deu muitos graças a Deus. Imediatamente recompensou o mouro e prometeu-lhe muito mais no futuro.

No dia seguinte, ordenou que os nobres e todos os homens que estavam prontos para a entrada fossem alertados, o que os deixou tristes e ainda mais desagradados com D. Duarte. Também mostraram a sua raiva para com o mouro, acusando-o de ter sido movido pelo aviso mais para evitar danos aos seus parentes do que para fazer bem a D. Duarte. Alguns ameaçaram-no com a forca, outros com fogo para o queimar, mas o mouro, confiante no que sabia com certeza, suportou tudo com uma risada, dizendo que em breve veriam o contrário.

O capitão, tendo sido avisado por ele dos locais onde as emboscadas estariam, ordenou que a primeira fosse descoberta pela manhã, enquanto todos os outros homens permaneciam em posição segura e preparada. Quando os mouros viram os batedores, compreenderam a verdade, e que tal descoberta devia ter vindo de algum aviso que os cristãos tinham recebido. Por causa disso, não saíram da vila, nem ousaram entrar nas suas terras como tinham planeado. Imediatamente, quatrocentos cavaleiros, com cavalos e trajes blindados, uma força especial e bem treinada, saíram. D. Duarte saiu com até cento e vinte cavaleiros para os resistir, especialmente para resgatar os batedores que tinha enviado, que estavam a ser intensamente perseguidos. Uma batalha feroz ocorreu entre ambos os lados, na qual D. Duarte pressionou os mouros com tanta força que eles fugiram, com alguns deles mortos, todos eles homens de boa posição. Seguindo-os, outra emboscada maior emergiu para apoiar a primeira, fingindo maliciosamente fuga para atrair os cristãos. Viraram-se todos contra os cristãos, que, incapazes de resistir a uma força tão grande, deram as costas. Na curta perseguição, mataram alguns deles.

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