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Audiolivro: Julio Diniz (Joaquim Guilherme Gomes Coelho) Esboço Biographico por Alberto Pimentel
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ESBOÇO BIOGRAPHICO
DE
JULIO DINIZ
I
Ao cómoro do athleta, que cahiu fulminado pela morte, não deixarão d'ir, em piedosa romagem, com as flores da saudade, os que mais d'uma vez lhe viram lampejar as armas impollutas ao sol da gloria litteraria. É um dever e um desafogo esta visita ao tumulo d'uma realeza que se extinguiu para os homens do seu tempo, mas que deixou após si um rasto luminoso no qual ha de reviver atravez das idades futuras. E tanto maior dever é, e tanto maior desafogo se afigura, quanto é certo que a litteratura portugueza, que parecia preparada para longa vida depois da fecunda revolução do romantismo, está vendo rarear dia a dia as suas fileiras, já porque a morte lh'as dizima, e já porque a politica lhe vem roubar com mão sacrilega os mais denodados legionarios para lh'os amollentar na vida regalada dos encargos parlamentares e diplomaticos.
Cada vez se vão multiplicando as perdas e as deserções, e todavia não se enxerga ainda no oriente o primeiro alvor d'uma aurora de redempção, que prometa trazer novos apostolos e novos soldados, novos elementos de vida, n'uma palavra, para o futuro das lettras patrias. Vejamos se é isto verdade ou se não passa d'uma asserção gratuita.
Percorramos, ainda que com o coração cheio de magua e os olhos marejados de lagrimas, os fastos da litteratura moderna. A cada passo, ao folhearmos tão triste necrologio, encontraremos uma pagina tarjada de lucto a recordar um talento que se apagou. Para logo se nos deparam os nomes illustres de Lopes de Mendonça, de Soares de Passos, de Coelho Lousada, de Faustino Xavier de Novaes, de José Freire de Serpa, de Arnaldo Gama, de Rebello da Silva, de Gomes Coelho, e de quantos outros que nos não lembram agora! As deserções são por igual numerosas, mas, visto que escrevemos no Porto, contemol-as apenas intra muros e recordemos alguns litteratos que se secularisaram, José Gomes Monteiro, Augusto Luso, Alexandre Braga, e muitos outros que se dariam já por affrontados se rememorassemos a sua velha familiaridade com as musas. O mesmo aconteceu com o snr. Alexandre Herculano que, segundo parece, trocou definitivamente as lettras pela agricultura.
Este mesmo pensamento já o snr. visconde de Castilho o deixou apontado na Conversação preambular que abre o D. Jayme: «Dos nossos poetas, diz elle, que tantos e tão viçosos pullularam sempre ao bafo benignissimo d'estes ares, quantos apontamos hoje em dia? Morreram uns; envelheceram outros, que é peior maneira de morrer; outros secularisaram-se para os negocios; outros desertaram para a politica; não poucos succumbiram á epidemia da inercia, e jazem, sobreviventes a si mesmos, sobre os seus proprios nomes, como estatuas sobre tumulos, armadas mas inertes.» Raros são pois os que, infatigaveis, se conservam ainda abroquelados para os mais galhardos torneios do pensamento, como que zombando da idade, que é enfermiça e cobarde o mais das vezes.
O author das linhas que deixamos citadas, o snr. visconde de Castilho, todo se enleva ainda no doce poetar da sua lyra, vasando no suavissimo rhythmo da lingua portugueza as mais formosas obras primas da litteratura extrangeira. Não ha de certo em paiz nenhum mais abundante e prestimosa velhice.
O snr. Castilho é mais do que um traductor;--é um nacionalisador. Rir-se-hão da sua gloria os meticulosos, dizendo que é crime de lesa-magestade o pôr mão reformadora nos monumentos artisticos. Será. Mas o que é, em verdade, muito para louvar e agradecer, é que um litterato portuguez esteja dando á sua patria um Anachreonte que ella não tinha, um Moliére que lhe faltava, e um Goethe que lhe não dera Deus.
Camillo Castello Branco é realmente um escriptor incansavel, que tem enfermado na faina das lettras, e que n'ella espera morrer, como aquelles guerreiros legendarios, de que falla a historia nacional, que só largavam da mão a espada, quando a morte lhes desnervava o braço.
Julio Cesar Machado sustenta, ha longos annos, as boas tradições do folhetim portuguez com uma graça e uma delicadeza que fazem ainda suppôr que elle não completou siquer vinte e cinco annos.
O snr. D. Antonio da Costa tem sido, é, e será sempre o apostolo convicto da suada obra do bem, o propagador nunca esmorecido d'essa grande verdade chamada instrucção nacional, que aos espiritos mais levianos de Portugal se afigura ainda, e Deus sabe por que tempo se afigurará, infelizmente, uma formosa utopia de ministro poeta.
Pinheiro Chagas é d'estes combatentes válidos e corajosos, que nunca desanimam nem fraquejam nas campanhas litterarias, posto que seja muito para receiar que a politica, que já lhe franqueou as portas de S. Bento, venha um dia a adormecel-o na indolencia dos seus braços perfidamente voluptuosos.
Poderá causar reparo que não citemos o nome do snr. Mendes Leal; mas s. exc.ª, envolvido em negocios diplomaticos presentemente, só de longe a longe apparece na imprensa ou desobrigando-se de encargos academicos ou modulando um carme fugitivo que mais saudades nos deixa da sua lyra poderosa.
O snr. Manoel Roussado, hoje barão d'este nome, e que era aliás um folhetinista de muito espirito, sahiu de Portugal para exercer no estrangeiro um consulado, quando o visconde Ponson du Terrail lhe começou a disputar tenazmente o rez de chaussée do Diario Popular. São portanto tres ou quatro os lidadores que estão em campo, e que ahi recolhem os louros do triumpho, sempre que sahem a provar a fina tempera de suas armas. Outros ha, como João de Deus, Anthero de Quental, Pereira da Cunha, visconde de Benalcanfor (Ricardo Guimarães), Teixeira de Vasconcellos, que, talvez enojados d'esta alluvião de versões a tostão o volume e de questiunculas de fanatismo religioso e politica bichosa, raro dão mostras de vitalidade litteraria.
Intencionalmente deixamos para o ultimo logar o snr. Theophilo Braga, por se nos afigurar que, escrevendo a Historia da Litteratura Portugueza, está traçando o epitaphio das lettras patrias cuja nova histori
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