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AI Voice AudioBook: Cidades e Paisagens by Jaime de Magalhães Lima

AudioBook: Cidades e Paisagens by Jaime de Magalhães Lima

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CIDADES E PAIZAGENS

JAYME DE MAGALHÃES LIMA

PORTO TYP. DE A. J. DA SILVA TEIXEIRA Cancella Velha, 70 1880

A MEU PAE

Sebastião de Carvalho Lima

Creio ter chegado a um periodo da vida em que a formação mental do individuo estaciona, tendo-se completado nos limites da sua capacidade. O pensamento trabalha talvez com maior actividade e n'um campo d'acção mais vasto do que no passado; mas a fórma e força dos seus orgãos já não progridem nem crescem nem diminuem nem mudam, mantêm-se. É porventura a época de estudo mais fecundo, não é decerto a de maiores prazeres; pois as emoções intensas do crescimento consciente de vigor foram substituidas pela repetição serena e methodica de esforços e resultados semelhantes.

Breve ou longo, luminoso ou obscuro, tal qual foi com todos os seus tedios e todas as suas alegrias, percorri esse caminho apoiado na generosa amizade de meu pae. Por isso lhe dedico estas cartas, primicias de uma nova idade devidas á gratidão.

Jayme de Magalhães Lima.

ADVERTENCIA

Para repouso do espirito e procurando uma representação exacta de coisas que conhecia só pela leitura e me interessavam, fiz no outono passado uma rapida viagem pelo norte da Europa e da Africa. Nos breves momentos de descanso do meu jornadear impaciente dei conta do que ia vendo e pensando nas cartas que ora enfeixo n'este livro. Accusam-me os amigos e criticos intelligentes de ter sido abstruso, poupando-me a descripções e á narração dos factos e só cuidando de apontar as impressões de natureza moral que ficavam no meu espirito. A accusação é procedente, reconheço-o; mas não tentarei corrigir-me pelo respeito que devo á sinceridade.

Estas cartas são reflexões sobre um limitadissimo numero de factos porque na verdade o meu espirito é d'este molde; prende-se meramente ao que se lhe afigura saliente e caracteristico, e despreza e esquece tudo o mais. Se é boa, se é má, não sei dizel-o; sei apenas que é esta a sua fórma.

Não desprezo o trabalho descriptivo, incomparavel delicia quando é bem feito, unica base dos conhecimentos geraes; mas, além de requerer aptidões litterarias especiaes que não tenho, demanda ao mesmo tempo dotes d'um outro genero de que igualmente careço. A descripção, associada á narrativa e ao dialogo, póde bem aventurar-se no romance sem outro qualquer auxilio: a descripção simples, por mais brilhante que seja, é um anachronismo enfadonho se lhe falta a interpretação do lapis e do carvão que elucida, completa, abrevia e deleita, dando rapidamente uma impressão extensa.

Depois, ha muitos modos de viajar. Ha em primeiro logar o estudo--o conhecimento interno e externo dos povos nas suas instituições e nas suas paizagens, na sua vida moral e na sua vida economica, nas suas qualidades physiologicas e nas suas aptidões artisticas, no seu modo de ser intimo e nas suas relações com o mundo externo. Esses estudos carecem de longo tempo e saber paciente e a descripção é um dos seus elementos; estão feitos para quasi todo o mundo tantas vezes e tão bem que seria vaidade pueril tentar acrescentar-lhes o que quer que fosse.

Um segundo modo é a viagem por curiosidade--vêr muita coisa e coisas differentes das que habitualmente vemos. É o regalo das sensibilidades cansadas ou demasiado cubiçosas e um genero de «sport» hoje muito em voga; o seu valor educativo, porém, é mediocre pela multiplicidade das impressões e falta de connexão entre si.

Entre estes dois modos parece-me haver um terceiro, munido de estudos prévios para dispensar observação demorada e curioso só quanto baste para a elucidação do estudo. Procura a representação directa d'aquillo que já conhece, vendo em movimento os corpos vivos cuja anatomia e physiologia estudou primeiro; vai envolver-se na corrente das cidades para sentir o calor e o palpitar do seu sangue e uma vez alcançada esta impressão abandona-as como um parasita irrequieto.

Isto pelo que diz respeito ao modo de apreciar as viagens. Pelo que se refere propriamente ás minhas impressões nada quero acrescentar e muito pouco tenho que esclarecer.

O que escrevi de Berlim fará crêr que não senti lá outra coisa senão um militarismo brutal absolutamente antipathico ao meu espirito, quando é verdade que ao seu lado vi com intima admiração a força moral d'um regimen de ferro em que tudo é pautado pela lei severa e obedecida. Não sei que haja paiz que possua mais profundamente o fetichismo do dever. Um acto pratica-se porque é obrigação pratical-o e no cumprimento das obrigações não ha hesitar--tal é o primeiro e mais assombroso resultado educativo que a severidade allemã alcançou para aquelle povo.

Nem mesmo direi antipathico o caracter do actual imperador da Allemanha, apesar do seu muito contestavel amor filial e d'uma paixão militar que não deve ficar longe da loucura. Aspirar a constituir uma patria e uma nação «allemãs» é talvez uma especie de egoismo mas largo e generoso; póde ser abominavel mas não perde por isso a admiração devida a todas as coisas grandes. E este é, a meu vêr, o caso do imperador da Allemanha.

Igualmente receio ter ficado obscura a minha discussão com o conde Tolstoï.

D'accordo quanto á medida do progresso, conformes ambos em que devemos aferil-o pelo alargamento e mais profunda penetração da fraternidade ou do amor nas relações sociaes, differiamos no modo pratico da sua realisação. Tolstoï conclue pelo nihilismo, pela abolição da propriedade, do estado, de todos os vinculos e de todas as dependencias, entregando os homens sómente á sua lei divina ou moral; pede uma dissolução onde eu pediria uma organisação, uma ordem, d'onde derivam a familia, a communa, a propriedade, o estado, uma subordinação. Historica e scientificamente está demonstrado, que, abolidos esses laços, a sociedade cae na anarchia, na guerra, na livre soberania da lucta pela vida, negação da fraternidade.

E não se diga que esta maneira de vêr contradiz a igualdade, tendencia evolutiva das sociedades aryanas, historicamente demonstrada. A igualdade entre os homens, que o christianismo e a philosophia reconhecem, traduz-se nas instituições politicas n'uma accessibilidade de estado e de classe e não na abolição de todos os estados sociaes e das classes, orgãos da humanidade. D'esses orgãos deriva a sua fórma e é esta que nos cumpre aperfeiçoar sem a destruirmos.

De resto, qua

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