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AI Voice AudioBook: A Mãe by Maksim Gorky

AudioBook: A Mãe by Maksim Gorky

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A MÃE

Prefácio

A Mãe não é uma obra de pura imaginação. É, antes de tudo, uma pintura exata – poderia até dizer-se uma vista cinematográfica – do movimento revolucionário na Rússia. Este belo livro introduz na literatura russa tipos que faltavam n’ella quase por completo: os revolucionários operários e camponeses, cujo papel tem sido tão importante nas últimas tempestades políticas do país dos czares.

Graças aos escritores que se têm sucedido de Tourguenev a Leão Tolstoi, o revoltado saído da classe intelectualmente cultivada é mais ou menos conhecido.

Por que motivo não havia ainda um retrato completo do seu irmão oriundo das obscuras camadas do povo? Principalmente porque os revolucionários desta categoria são de recente data.

Prepararam-se durante muito tempo nas misteriosas profundezas das massas, recrutando-se em silêncio, multiplicando-se pouco a pouco, até ao dia em que, na sequência dos acontecimentos de que a Rússia acaba de ser o teatro, os viram surgir de chofre por toda a parte, tanto nas aldeias as mais recônditas da província, como nas grandes cidades.

O povo desperta do seu sono secular, como de sobresalto, e este despertar abre uma era nova na história do movimento da libertação russa. Entre os intelectuais e os iletrados, até hoje distanciados uns dos outros, forma-se um laço sólido, e um mesmo ideal inflama o exército dos que marcham à conquista da liberdade.

Descrever esta nova fase da revolução russa, evocar os heróis obscuros que se votaram à grande tarefa da emancipação, analisar nas suas manifestações as mais variadas, e até as mais inesperadas, esta ressurreição da consciência popular – eis o que Máximo Gorki se propôs nas páginas que ides ler. Tarefa árdua como poucas, mas de molde a tentar a alma ardente do autor. Raras vezes Gorki atingiu tal acuidade de observação, uma variedade mais completa no descritivo, uma tão perfeita certeza de análise psicológica. Mais do que nunca, foi o homem identificado com a sua obra. Filho do povo, ascendendo das mais sórdidas camadas sociais, revolucionário unicamente dedicado ao seu puro ideal de justiça (sempre protestou contra a violência, viesse ela de onde viesse) Gorki tinha, mais do que outrem, os requisitos para escrever esta página trágica da história contemporânea.

No personagem tão profundamente humano da mãe, Gorki mostra como uma mulher cheia de doçura e de timidez, espancada pelo pai, pelo marido, esmagada impiedosamente pela sorte, imersa na ignorância e no desregramento, vai adquirindo pouco a pouco a consciência da sua misera situação, se levanta sob a influência do seu filho, até tornar-se como ele revolucionária entusiasta, sacrificando por fim as suas mais queridas afeições, a própria vida mesmo, à causa do povo.

Em torno da mãe e do filho – os dois heróis principais – agita-se um amontoado de outros personagens. D’uma parte, os amigos: um russo-menor – alma de abnegação e de comovente simplicidade – raparigas sacrificando felicidade e riqueza para sofrerem a prisão e as provações de toda a espécie; operários robustos e sagazes reclamando, com o direito à vida, algumas liberdades; camponeses que, depois de séculos de cega submissão, se recusam finalmente a considerar os representantes das autoridades como enviados do céu. D’outra parte, os inimigos: oficiais de polícia, guardas e espiões, instrumentos dóceis do poder. Toda esta gente, tão estranha e tão viva, estas lutas, estes julgamentos, estes martírios, episódios d’uma guerra cruel e sem clemência movida contra os apóstolos do ideal novo, tudo isto é a realidade, a realidade de ontem, de hoje, de amanhã, tudo isto existe e existirá, enquanto na Rússia durar a luta libertadora.

De muitas páginas d’este livro emana uma emoção profunda.

No decurso de uma conversa com os seus companheiros, André, o russo-menor, exclama:

– Que importam os meus sofrimentos, as minhas desgraças! Quando penso em que um dia a pátria será livre, o meu coração dilata-se de júbilo... tenho vontade de chorar, tão feliz me sinto!

E quando Pavel diz, falando de um seu amigo desgraçado mas sempre bem-disposto de espírito:

– Sabes? aqueles que mais riem são aqueles cujo coração sofre incessantemente.

Um companheiro responde:

– Qual história! Se assim fôsse, toda a Rússia morreria de riso!


O príncipe Ouroussof, antigo ministro adjunto do Interior, na Rússia, conta nas suas Memórias que a rainha da Rumania, falando-lhe dos escritores russos contemporâneos, colocava a muito alto a obra de Gorki, que ela conhecia perfeitamente. «Sabe captar a atenção do leitor – declarava ela – e introduziu processos absolutamente novos na literatura moderna.»

Carmen Sylva aludia provavelmente ao dom que Gorki possui de fascinar o leitor com o poder das cenas que descreve. Tais são, n’este romance, a morte do revolucionário Iégor, a prisão do camponês Rybine, a audiência do tribunal a que comparecem Pavel e os seus amigos, a cena final em que as mãos dos guardas espancam a pobre mãe. Quantas passagens poderíamos citar ainda! Por exemplo, aquela em que Sophia toca uma sinfonia de Grieg. O autor não diz o nome d’aquele trecho, mas qualquer músico o reconhecerá imediatamente pela rápida e flagrante descrição que d’elle faz Gorki.


O governo russo entendeu dever apreender A Mãe em todo o império. Poucos dias depois da aparição da obra, a polícia fazia buscas em todas as livrarias tanto de S. Petersburgo como da província. Chegou muito tarde e só pôde apreender poucos exemplares, por estar já vendida a parte máxima de uma larga edição.

Ao mesmo tempo, as autoridades entregavam aos tribunais Gorki e o seu editor, sob a acusação de «excitação à revolta» e de «achincalhamento das coisas santas», crimes que elas dizem existirem n’este romance. Segundo a lei russa, sob os culpados impende a pena de três a cinco anos de prisão ou de exílio na Sibéria.

Há três anos somente, Gorki foi encarcerado na fortaleza de S. Pedro e S. Paulo, por motivos análogos.

A opinião pública sentiu-se abalada em todo o mundo: de todos os países civilizados afluíram petições colossais, reclamando a libertação do mestre. Gorki foi posto em liberdade.

Sofrendo do peito,

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