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AI Voice AudioBook: Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage by Manuel Maria Barbosa du Bocage

AudioBook: Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage by Manuel Maria Barbosa du Bocage

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POESIAS EROTICAS, BURLESÇAS, E SATYRICAS

DE

M.M. DE BARBOSA DU BOCAGE.

Não comprehendidas na edição QUE DAS OBRAS D'ESTE POETA SE PUBLICOU EM LISBOA, NO ANNO DE MDCCCLIII.

BRUXELLAS

MDCCCLX.

ADVERTENCIA PRELIMINAR.

Constou que muitas pessoas, que subscreveram para a recentissima edição das Poesias de Bocage, publicada em Lisboa, e concluida já no anno corrente, desejosas de possuir tudo o que saiu da penna de tão peregrino engenho, como que se lastimavam de não poderem juntar áquellea collecção para a tornar completa, as obras do mesmo autor, que por tratarem de assumptos anti-religiosos, ou pouco conformes á decencia e moralidade dos publicos costumes, foram (ao que parece) com acertado fundamento omittidas na referida edição.

Entretanto é facto incontestavel que parte d'essas obras teem já sido impressas em diversos tempos, e que outras correm desde muitos annos pelas mãos dos curiosos em copias mais ou menos viciadas e incorrectas, como é de uso em papeis conservados manuscriptos, mórmente nos de tal natureza. A esta consideração veiu naturalmente prender-se outra, de certo bem attendivel no juizo do julgador imparcial: e é que do principo ao meado do seculo XIX medea longa distancia no perigo de similhantes publicações.

Nesta conjunctura alguem se persuadiu de que prestaria mui agradavel serviço aos que ambicionam inteirar suas collecções offerecendo-lhes estampadas em egual formato, e com a mesma disposição typographica essas composições, de cuja falta tanto lhes pezava; as quaes são, pelo assim dizer, outros tantos documentos indispensaveis para se avaliar cabalmente o merito do poeta; — conhecer até que ponto chegaram suas aberrações; — e para completar o desenho das diversas feições moraes do seu retrato; attendendo principalmente a que, conforme a reflexão já feita por um juiz competente, se as poesias licenciosas de Horacio são os seus unicos versos sem espirito, pelo contrario as de Bocage bastariam de per si a dar-lhe nome, e credito, se estes podessem provir de tal genero, ou se a sua gloria não estivera cimentada em mais firmes e seguros alicerces.

Eis ahi pois os motivos da publicação do presente volume.

Sirvam estas razões de salvo-conducto com que grangeêmos obter venia perante os animos sensatos e despreoccupados: quanto áquelles para quem (na phrase de um nosso amabilissimo contemporaneo) é mais alto escandalo escrever um beijo do que tomar cento, — esses teem em si mesmos contra o veneno do livro um preservativo tão facil quanto infalivel: — Não o comprem, nem o lêam, e ficaremos em boa paz.

RIBEIRADA:

POEMA EM UM SÓ CANTO

ARGUMENTO.

Quando o preto Ribeiro entregue ao somno Jazia, lhe apparece o deus Priapo; E com uma das mãos, por ser fanchono, Lhe agarra na cabeça do marsapo: Offerece-lhe depois um bello cono, Cono sem cavallete, gordo, e guapo: Casa o preto, e a mulher, por fim de contas, Lhe põe na testa retorcidas pontas.

CANTO UNICO.

I

Acções famosas do fodaz Ribeiro, Preto na cara, enorme no mangalho, Eu pretendo cantar em tom grosseiro, Se a Musa me ajudar neste trabalho: Pasme absorto escutando o mundo inteiro A porca descripção do horrendo malho, Que entre as pernas alverga o negro bruto No lascivo appetite dissoluto.

II

Oh Musa gallicada, e fedorenta! Tu, que ás fodas d'Apollo estás sujeita, Anima a minha voz, pois hoje intenta Cantar esse mangaz, que a tudo arreita: D'esse vaso carnal, que o membro aquenta, Onde tanta langonha se aproveita, Um chorrilho me dá, oh Musa obscena, Que eu com rijo tezão pégo na pena.

III

Em Troia, de Setubal bairro inculto, Mora o preto castiço, de quem falo; Cujo nervo é de sorte, e tem tal vulto, Que excede o longo espeto de um cavallo: Sem querer nos calções estar occulto, Quando se enteza o tumido badalo, Ora arranca os botões com furia rija, Ora arromba as paredes, quando mija.

IV

Adorna hirsuto rispido pentelho Os ardentes colhões do bom Ribeiro, Que são duas maçãs de escaravelho, Não digo na grandeza, mas no cheiro: Ali piolhos ladros tão vermelho Fazem com dente agudo o pau leiteiro, Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.

V

Os maiores marsapos do universo Á vista d'este para traz ficaram; E do novo Martinho em prosa, e verso Mil poetas a porra decantaram: Quando ainda o cachorro era de berço Umas moças por graça lhe pegaram Na pica já taluda, e de repente Pelas mãos lhes correu a grossa enchente.

VI

De Polyphemo o nervo dilatado, Que intentou escaxar a Galathéa, Pelo mundo não deu tão grande brado Como a porra do preto negra, e fêa: Da Cotovia o bando gallicado Com respeito mil vezes o nomêa, E ao suberbo estardalho do selvagem As putas todas rendem vassallagem.

VII

O longo, e denso veo da noute escura Das estrellas bordado já se via; E em rota cama a horrenda creatura Os tenebrosos membros estendia: Do caralho a grandissima estatura C'os lençóes encobrir-se não podia, E a cabeça fodaz de fora pondo Fazia sobre o chão medonho estrondo.

VIII

Os ladros, que fieis o acompanhavam, A triste colhoada a cada instante Com agudos ferrões lhe traspassavam, Atormentando a besta fornicante: Na durissima pelle se entranhavam, Supposto que com garra penetrante O negro dos colhões a muitos saca, E o castigo lhes dá na fera unhaca.

IX

Tendo o cono patente no sentido Na barriga o tezão lhe dava murros; E de activa luxuria enfurecido Espalhava o caxorro afflictos urros: Co'a lembrança do vaso appetecido O nariz encrespava, como os burros; Até que, em vão berrando pelo cono, De todo se entregou nas mãos do somno.

X

Já, roncando, os visinhos acordava O lascivo animal, que representa C'o motim pavoroso, que formava, Trovão fero no ar, no mar tormenta: Com alternados couces espancava Da pobre cama a roupa fedorenta, Que pulgas esfaimadas habitavam, E de mil cagadelas matizavam.

XI

Eis de improviso em sonhos lhe apparece Terrifica visão, que um braço estende, E pela grossa carne, que lhes cresce Debaixo da barriga ao negro prende: Acorda, põe-lhe os olhos, e estremece Com quem ao terror se

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