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AI Voice AudioBook: Cantos - Collecção de poesias by Antônio Gonçalves Dias

AudioBook: Cantos - Collecção de poesias by Antônio Gonçalves Dias

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Cantos

Colecção de Poesias de A. Gonçalves Dias

Terceira Edição

Ao seu amigo, o Dr. G. S. de Capanema, oferece esta edição dos seus Cantos o Autor.

Sirva de Prólogo

A coleção de poesias que agora reimprimo, vai ilustrada com algumas linhas de A. Herculano, a que devo a maior satisfação que tenho até hoje experimentado na minha vida literária.

Merecer a crítica de A. Herculano, já eu consideraria como bastante honroso para mim; uma simples menção do meu primeiro volume, rubricada com o seu nome, desejava-o de certo; mas esperá-lo, seria da minha parte demasiada vaidade.

Ora, em vez da crítica inflexível, que eu deveria, mas não ousava recear; em vez da simples notícia do aparecimento de um volume, que não seria de todo ruim, pois que teria merecido ocupar a sua atenção; o ilustre escritor pôs por alguns momentos de parte a severidade que tem direito de usar para com todos, quando é tão severo para consigo mesmo – e, benevolamente indulgente, dirigiu-me algumas linhas, que me farão compreender quão alto eu reputava a sua glória, na plenitude de contentamento, de que as suas palavras me deixarão possuído.

O escritor conhecia-o eu há muito, mas de nome e pelas suas obras: essas obras que todos nós temos lido, e esse nome que eu sempre ouvira pronunciar com admiração e respeito.

Se pois, n’aquela ocasião, me fosse dado escolher autor para esse artigo, não podia recair em outro a minha escolha. Hoje, com mais razão. Tive ensejo de o conhecer pessoalmente, e a fortuna de encontrar nele um daqueles poucos, de alta inteligência, que não perdem em serem admirados de perto, e cuja amizade se pode ambicionar como um tesouro: fortuna, digo, por que o é de certo, quando se admira o escrito, que se possa ao mesmo tempo estimar o escritor; e ainda maior fortuna, quando queremos manifestar o nosso reconhecimento, que nos não remorda a consciência, prevenindo-nos, de que ainda quando digamos mais do que a verdade, ficaremos sempre aquém do que devemos.

Aí vai o artigo tal qual o transcreveu e remeteu-me de Lisboa o meu bom amigo Gomes de Amorim.

Dresde, 30 de Março de 1857.

Futuro Literário de Portugal e do Brazil.

Por ocasião da leitura dos primeiros cantos: Poesias do Sr. A. Gonçalves Dias.

Bem como a infância do homem a infância das nações é vivida e esperançosa; bem como a velhice humana a velhice delas é tediosa e melancólica. Separado da mãe pátria, menos pela série de acontecimentos inopinados, a que uma observação superficial lhe atribui a emancipação, do que pela ordem natural do progresso das sociedades, o Brazil, império vasto, rico, destinado pela sua situação, pelo favor da natureza, que lhe fadou a opulência, a representar um grande papel na história do novo mundo, é a nação infante que sorri: Portugal é o velho aborrecido e triste, que se volta dolorosamente no seu leito de decrepitude; que se lamenta de que os raios do sol se tornassem frouxos, de que se encurtassem os horizontes da esperança, de que um crepe fúnebre vele a face da terra. Perguntai, porém, ao povo infante, que cresce e se fortifica além dos mares, que se atira ridente pelo caminho da vida, se é verdade isso que diz o ancião na tristeza do seu vegetar inerte, e que, encostado na borda do tumulto, deplora, pobre tonto, o mundo que vai morrer!

Em Portugal, os espíritos que o antigo poeta designou pelo epíteto de bem nascidos; aqueles que ainda tentam esquivar-se no santuário da ciência ou da poesia ao pego da podridão dissolvente que os cerca, no meio dos seus generosos esforços chegam a iludir a Europa com essas aspirações do futuro, que também neles não são mais do que uma ilusão. As suas tentativas quase fazem acreditar que para esta nação moribunda ainda resta uma esperança de regeneração; que nas veias varicosas deste corpo semi-cadáver de novo se vai injetar sangue puro; que temos ainda algum destino a cumprir antes de nos amortalharmos no estandarte de D. João I. ou na bandeira de Vasco da Gama, e de irmos enfim repousar no cemitério da história. O desengano chega, porém, em breve. O talento que forcejava por fugir do letargo febril que nos consome, retrocede ao entrar no templo, e volta ao lodaçal onde agonizamos. É que a turba que aí se debate, ou o apupa, ou lhe arroja adiante tropeços, ou o corrompe com dadivas e promessas; e falando-lhe às paixões más, às ambições insensatas, lhe clama: vem refocilar-te no lodo. E, desanimado ou tentado, o talento despenha-se, e atufando-se no charco, aceita as lisonjas ou o ouro imundo, que lhe atiram, embriaga-se com os outros perdidos, e renega da missão sacrossanta, que se lhe destinara no céu.

Que é feito de tantos engenhos que despontaram nesta nossa terra desde que a imprensa libertada chamou os que sentiam chamejar em si um espírito não vulgar ao convívio das inteligências? Que é feito dessas três ou quatro épocas em que, nos últimos quinze anos, a mocidade parecia querer deixar inteiramente aos pequeninos homens grandes do país o agitarem-se, o morderem-se, o devorarem-se acerca dos graves interesses, das profundas questões das bolhas de sabão políticas? Que é feito dessa falange ardente, ambiciosa de uma glória pura, que principiava a exercitar-se nas lides do entendimento? De tudo isso; de toda essa mocidade brilhante e esperançosa que resta? Algum crente solitário, que deplora em silêncio a queda de tantos arcanjos. Os outros sacerdotes, apostatando da religião das letras, atiraram-se à arena das facções, e manchados pela baba dos ódios civis, cobertos da lama das praças, arroxeados e sangrentos pelas punhadas do pugilato político, desbaratando em esforços estéreis a seiva interior, lá vão disputando no meio de homens gastos

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