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AI Voice AudioBook: Felicidade pela Agricultura (Vol. I) by Antonio Feliciano de Castilho

AudioBook: Felicidade pela Agricultura (Vol. I) by Antonio Feliciano de Castilho

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Felicidade pela Agricultura

Volume I

Advertencia dos Editores

Pelos bons julgadores foi sempre considerada esta Felicidade pela Agricultura uma das obras mais cheias de estro e pujança, que sahiram do cerebro de Castilho.

João de Andrade Corvo costumava dizer:

--Em qualquer pagina que eu o abra, tem sempre este livro o condão de me entreter, e fazer-me pensar longamente.

Livro que faz meditar um homem da valia de Andrade Corvo, é bom.

Escreveu Castilho tudo isto aos poucos, entre outras variadas tarefas, para um periodico, que redigia em Ponta-Delgada: O Agricultor Michaelense.

Na solidão do seu viver, então muito incerto e cheio de saudades, entre um rancho de cinco filhos pequeninos a pedirem-lhe instrucção e educação, no meio de um povo amigo predisposto para o bem, e com a visinhança do mar, que tanto influe a pensamentos sérios, acordaram no antigo ermitão do Caramulo, no ex-redactor da Revista Universal, os pensamentos rasgadamente humanitarios, que o desvelaram e absorveram no resto da vida. Orientou-se, sem o suspeitar, no sentido pratico do bem; e toda a sua alma de homem bom e de poeta vibrou em anhelos de felicitação publica. Esses anhelos tomaram forma litteraria, e deram a presente série de artigos, dictados desde Janeiro de 1848 até Dezembro de 1849.

Via então Castilho a regeneração da Patria, d’esta Patria que elle tanto amou, consubstanciada n’uma ideia unica: o desenvolvimento da Agricultura, e da Instrucção popular. Enganar-se-hia?

A campanha que nos annos proximos havia de sustentar, com a penna, com a palavra, com o amor, com a ira, e com annos de existencia, começou, a bem dizer, aqui. Este opusculo marca uma epoca da vida de Castilho.

Com os seus alti-baixos de forma, com a sua exuberancia opulenta, com as suas loucuras sérias tão sublimes, com o seu desalinho familiar, que por si mesmo consegue impôr-se, são estas paginas o acordado sonho de um vidente, que adianta tres seculos á sua era. As utopias do autor encapellam-se, como antecipação grandiosa e gloriosa, que lhe retrata a indole.

São lembranças irrealisaveis algumas para desde já? sel-o hão; mas dos devaneios e aspirações dos homens de alma tem a Humanidade lucrado sementes de muitos bens. Lançadas á terra intellectual, veem a final a germinar, e a desatar-se em flores e frutos.

Deixar devanear estes grandes sonhadores, cuja região se libra a meio-caminho entre o presente e o futuro, entre o real e o ideal, entre a terra e o ceo. Escutemol-os, que para algures, não sonhado de nós outros, nos levam estas sereias do bem:

Preciosas revelações auto-biographica: se nos deparam no livro a cada passo, aproveitadas já, e detidamente explicadas (quanto o podem ser) nas suas Memorias.

Pobre e desajudado, pugnou, quanto soube e poude, em favor de uma ideia, que o alimentou e o aniquilou: a civilisação da sua terra.

É um livro singular este, que se não pode ler sem respeito e commoção. O pensador transparece no poeta. O lyrico devaneador completa-se no philosopho. O patriota realça-se pelo christão.

Exhala-se de cada paragrapho um vago perfume campestre, que é verdadeira delicia: a mente do escritor foge, sempre que pode, para as solidões das hortas e dos casaes; as metaphoras são tomadas quasi sempre ao viver rural; a linguagem, portugueza de lei, sabe ao bom falar dos montanheiros.

Se elle tivesse refundido a obra, deixal-a-hia de certo mais perfeita; mais sincera não a podia deixar. E que melhor prenda do que a sinceridade?

Ao meu amigo o Ex.mo Snr. José Silvestre Ribeiro em penhor de admiração, respeito, e affecto. Antonio Feliciano de Castilho.

Advertencia

Reuni para este livrinho algumas das minhas utopias, já publicadas em um pequeno, mas bonissimo, periodico mensal provinciano, O Agricultor Michaelense, a fim de que o outono, que tão cedo vem ás folhas periodicas, não destruisse com ellas os meus pensamentos de amor dos homens. A esses artigos, alguns outros, ainda que poucos, ajuntei de identica natureza.

Diz-me a consciencia, que a maior parte das minhas esperanças n’estas paginas vem prematura, e que poucos d’estes bons e santos desejos, ou nenhuns, se realisarão em vida dos nossos netos.

Á consciencia respondo: que, se eu tivesse de viver duzentos annos mais, ou se d’aqui a duzentos annos houvesse de renascer, de boa-mente reservaria para então o que hoje antecipo.

Os intolerantes, os fanaticos de cada parcialidade politica, terão muito que abocanhar n’este pobre escrito. Pedir-lhes misericordia, ou mesmo justiça, fôra tempo perdido. Dir-lhes-hei só, que não escrevi para elles. Os homens bons e sinceros, que são os que me importam, ainda quando não concordem comigo, louvarão as m

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